Callegari reprova projeto que prevê aumento apenas para oficiais de alto escalão da PM
O deputado estadual criticou a proposta que beneficia apenas 200 militares em um universo de 13 mil, aprofundando a desigualdade entre o topo e a base da corporação
A Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) tornou-se palco de um intenso debate sobre a valorização da segurança pública nesta semana. O deputado estadual Callegari (DC) manifestou forte oposição ao Projeto de Lei 202/2026, enviado pelo Governo do Estado, que prevê um reajuste salarial direcionado exclusivamente aos oficiais de alto escalão da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros (coronéis, tenentes-coronéis e majores).
A proposta do Executivo busca a equiparação salarial entre os coronéis da PM e os delegados especiais da Polícia Civil. No entanto, Callegari alertou para o “abismo salarial” que a medida cria dentro das corporações militares: “A criminalidade aumenta quando o governo não faz a sua parte, principalmente quando não valoriza a tropa que está cansada de esperar por ganho real”, disparou.
De acordo com os dados apresentados, o projeto beneficia diretamente cerca de 200 oficiais, deixando de fora a vasta maioria da tropa. Callegari reiterou o posicionamento de que a medida é injusta com aqueles que estão na “ponta” do serviço policial: “Embora reconheça o mérito dos oficiais, não posso apoiar uma medida que aprofunda a desigualdade entre o topo e a base da carreira policial”, afirmou.
Os principais pontos da crítica
* Exclusividade: O reajuste atinge apenas 1,5% do efetivo total de 13 mil policiais.
* Defasagem: Praças e outros oficiais (tenentes e capitães) seguem sem uma proposta de recomposição que acompanhe a inflação.
Apelo ao Governo
O deputado solicitou que o governo retire o projeto atual e apresente uma nova proposta que contemple todos os policiais militares de forma proporcional e justa: “Pedimos que o governo apresente uma solução que evite criar hostilidade entre os diferentes níveis hierárquicos”, defendeu Callegari, reforçando que a valorização da segurança pública deve passar, obrigatoriamente, pelo reconhecimento do trabalho dos praças, que formam a sustentação operacional das ruas.
Até o momento, o governo defende a medida como uma forma de corrigir distorções históricas entre as carreiras jurídicas e militares de comando, mas a pressão interna nas unidades da PMES tende a crescer com a tramitação da matéria.



